domingo, 17 de janeiro de 2016

Como é entregar um trabalho numa universidade inglesa?

Você deve estar ai pensando, mas como assim, não é só entregar o trabalho no dia da aula e pronto? Não, não mesmo. Nem perto disso. Aqui na University of Sheffield existe um sistema online chamado Turnitin (acredito que existe para diversas universidades, mas não sei ao certo quais).


O que acontece? Bom, algum tempo antes de entregar o trabalho, você pode usar o sistema para verificar se tudo está ok em termos de plágio. No sistema online da universidade você faz o upload do seu arquivo e o Turnitin te devolve com uma análise. 

O sistema de "draft" (este das imagens) é praticamente igual ao sistema original. A maior diferença é que neste caso é possível fazer diversos uploads (um por vez) para que seu trabalho seja analisado. No sistema "final", você apenas faz o upload da versão final do trabalho e pronto. 

Como podem ver acima, o primeiro passo é colocar o título do trabalho. No meu caso coloquei Draft 3, pois era a terceira vez que estava analisando meu documento. No caso da submissão oficial este título seria o seu número de registro na universidade. Nada, nada, na universidade vai com o seu nome (a parte em cinza fica registrada no sistema apenas, não aparece para o professor). Isso é feito para evitar qualquer viés que o professor/corretor possa ter em relação à alunos específicos, por exemplo. 

O segundo passo é verificar que todos os dados estão corretos para a submissão. Isto é: autor, o título do trabalho, o título do documento (vai que você anexou o documento errado), o número de páginas/palavras/caracteres. Além disso, você tem um preview do trabalho para que possa verificar, pela enésima vez, que é o arquivo correto. Para o draft isso não é tão importante mas para a submissão final, é muito. 

No caso dos drafts, a primeira vez que você submete, o sistema responde em cerca de 5 minutos com a análise de similaridade (veja ao lado). O ideal é que o trabalho fique com até de 20% de similaridade mas isso varia muito pois, por exemplo, quem usa trechos de textos com as devidas referências terá uma % alta. O importante é colocar referências para tudo que estiver no texto. 

Isso é extremamente importante na Inglaterra! Plágio é algo muito, muito, muito sério aqui e temos uma palestra obrigatória de 1h na primeira semana de aula sobre o que é plágio, como evitar e o que acontece com quem o faz (não é coisa boa mas varia de caso a caso - o pior caso é ser expulso da universidade). 

Pois bem, o relatório é apresentado como na imagem abaixo. As passagens iguais são marcadas com cores específicas e aparecem ao lado com a devida fonte. Como, por exemplo, todos os trabalhos da universidade apresentam esta capa, logicamente será considerado uma cópia. É por estas e outras que uma porcentagem de similaridade é aceitável. 



 Finalmente, a cada submissão um relatório é gerado e enviado por email. É importante guardar cada email pois eles servem como prova de que você entregou o trabalho. 



 No geral, é um sistema que eu considero muito inteligente. Para quem vem estudar aqui, é bom que se acostumem não só com o sistema online mas com todas as regrinhas e, principalmente, a lidar com estas questões de plágio/afim. No Brasil quase nunca tive que fazer trabalhos escritos mas as vezes em que tive, era um sistema normal que consistia em imprimir e entregar, só. 

É isso ai, agora, de volta aos trabalhos!





sábado, 9 de janeiro de 2016

Visitando um Campo de Concentração

Não sei se já comentei em algum momento mas estou em Praga e resolvi passar aqui vários dias (pretendo fazer um post explicando tudo que fiz durante estes dias aqui). Tendo bastante tempo para explorar, pude participar de programas não tão típicos (ao menos não para os turistas "normais" que passam 2-3 dias em Praga) e um deles foi a visita ao campo de concentração Terezín.

Lá vai um pouquinho de história... A fortaleza foi construída no século 18 e antes da Segunda Guerra, serviu múltiplas funções. A função de "campo de concentração" foi instituída em Outubro de 1941 mas não era um campo como os que conhecemos das histórias (tipo Auschwitz), era um campo que fazia parte da chamada "final solution" (Janeiro 1942). Qual era o plano? Aqui vai o meu entendimento e do que li: 1o) Isolar os judeus da população; 2o) Concentrar os judeus (aqui entra Terezín); 3o) Extermínio (aqui entra Auschwitz). 

Isto é, o campo de Terezín é o que chamam de campo de transição. Muitas pessoas eram levadas para lá e lá ficariam até serem enviadas aos campos de concentração como Auschwitz. Quem ia e quem ficava? Aparentemente, quem era de alguma forma útil, ficava. As primeiras pessoas chegaram em Terezín em Outubro de 1941, em Fevereiro de 1942 a população original da cidade foi expulsa e em Setembro de 1942 houve a primeira leva de pessoas para os campos do Oeste (em Outubro do mesmo ano, para Auschwitz). 

A situação ficava mais complicada a cada dia com novas regras, mais pessoas e menos comida. A população original era de 7,000 e no auge chegou a ter cerca de 50,000 pessoas (no mesmo espaço)! Em Dezembro de 1943 fica instituído o processo de "embelezamento" (beautification) pois havia pressão para uma visita da Cruz Vermelha. O processo ocorre durante a primavera e no dia 23 de Junho 1944 ocorre a visita. O cenário e o processo foi calculado até os minutos, passando uma imagem de que Terezín era um lugar maravilhoso, afinal, este era o campo de concentração propaganda. Tudo foi tão bem feito que a Cruz Vermelha aprovou o campo e a visita a Auschwitz foi cancelada (lá também havia já um "cenário planejado", caso houvesse a visita). 

Após a visita, já em Setembro de 1944, começa uma série de transporte das pessoas aos outros campos de concentração e liquidação das cinzas daqueles que haviam morrido em Terezín (geralmente, pelas péssimas condições de higiene e falta de alimento). Em Fevereiro de 1945 começa a construção de uma câmara de gás em Terezín e subsequente destruição de todos os arquivos que poderiam indicar tudo que ocorreu no local.

Em Maio de 1945 os nazistas deixam Terezín mas o terror não acaba ai. Muitos chegavam de outros campos de concentração, em péssimas condições, e com eles traziam tifo. Foi com a ajuda do Exército Vermelho e da Cruz Vermelha que a epidemia foi então controlada e ocorre a repatriação de muitos. Em Outubro, os moradores originais retornam a Terezín. 

Ps: Não estudei história nem nada do gênero, as informações são baseadas no que o guia disse e no livro "The Terezín Ghetto". 

Como foi a visita... Encontramos o guia no Staroměstské náměstí e seguimos em direção a estação de trem (local). De lá, pegamos o trem até o ponto de Terezín, no mesmo caminho que seria feito e pelos mesmos trilhos da época da Segunda Guerra (quer dizer, acredito que os trilhos em si são um pouco mais novos né?). Um ponto crucial do guia (um ótimo guia, btw) era mostrar a diferença entre o que era Terezín para os judeus e o que eles mostravam ser para o mundo (a propaganda). 

Existem poucas coisas originais em Terezín pois hoje em dia o local funciona como uma cidade normal, com moradores e tudo. Ao mesmo tempo, tudo parece muito com os desenhos (clandestinos) que restaram. Original mesmo só o crematório e por ele é possível ver como tudo era "frio e calculista". O local conta também com museus com diversas exibições interessantes sobre a vida na época, baseado nas pinturas e nos relatos daqueles que sobreviveram. É possível visualizar bem a vida na época e pensar que, se este era o "campo bom de estar", imagina em campos como Auschwitz. 

A visita com certeza vale a pena e ter passado estes dias a mais em Praga certamente compensou. Para quem visitar, comprem o livro "The Terezín Ghetto" por Ludmila Chládkova. É baratinho e curto, mas dá uma geral na história e nas condições da época. 

Empresa: Sandemans New Europe. Recomendo muito! Também participei do free tour com eles pela cidade, também ótimo. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

50 lugares que eu gostaria de visitar na minha vida / 50 places that I would like to visit in my life

Uma das minhas metas do "101 Coisas em 1001 Dias" é fazer uma lista de 50 lugares que eu gostaria de visitar na minha minha (vou considerar, por motivos óbvios, lugares que eu nunca fui). Vou marcar em azul os que for "conquistando". Então lá vai...
  1. África do Sul / South Africa
  2. Alemanha / Germany
    1. Berlin
  3. Antártida / Antarctica
  4. Argentina
    1. Patagônia / Patagonia
  5. Australia
    1. Sydney
    2. Melbourne
    3. Grande Barreira de Coral / Great Barrier Reef
    4. Tasmânia / Tasmania
  6. Austria
    1. Salzburg
  7. Bahamas
  8. Butão / Bhutan
  9. Botswana
  10. Brasil / Brazil
    1. Fernando de Noronha
    2. Pantanal
  11. Canadá / Canada
    1. Toronto
    2. Ottawa
    3. Montreal
    4. Quebec
  12. China
    1. Lhasa 
    2. Beijing
    3. Hong Kong (?)
    4. Muralha da China / Great Wall of China
  13. Croácia / Croatia
    1. Dubrovnik
    2. Plitvice Lakes National Park
  14. Cuba
  15. Egito / Egypt
    1. Luxor
    2. Cairo
    3. Giza
  16. Emirados Árabes / UAE
    1. Dubai
    2. Abu Dhabi
  17. Escócia / Scotland
    1. Inverness
    2. Eilean Donan Castle
    3. Fairy Pools at the Top, Isle of Skye, Scotland
  18. EUA / USA
    1. Las Vegas
    2. Grand Canyon
    3. Alaska
    4. Yellowstone
  19. Finlândia / Finland
    1. Helsínquia / Helsinki
    2. Lapônia / Lapland
  20. França / France
    1. The Gardens at Marqueyssac
    2. Palace of Versailles
  21. Grécia / Greece
    1. Santorini
  22. Hungria / Hungary
    1. Budapeste / Budapest
  23. Ilha de Páscoa / Easter Island
  24. Ilhas Galápagos / Galapagos Islands
  25. Irã / Iran
  26. Irlanda / Ireland
    1. Dublin
  27. Islândia / Iceland
    1. Fjaðrárgljúfur Canyon
    2. Skaftafell Ice Cave
    3. Elephant Rock
  28. Itália / Italy
    1. Veneza / Venice
    2. Florença / Florence
    3. Roma
  29. Japão / Japan
    1. Kyoto
    2. Tokyo
    3. Fuji Park
  30. Jerusalem, Israel
  31. Lituânia / Lithuania 
  32. Maldivas / Maldives
  33. Marrocos / Morocco
    1. Marraquexe / Marrakech
  34. México / Mexico
    1. Chicen Itza
  35. Moçambique / Mozambique
  36. Noruega / Norway
    1. Tromso
  37. Nova Zelândia / New Zealand
  38. Peru
    1. Cusco
    2. Lima
    3. Machu Picchu
  39. Petra, Jordânia / Petra, Jordan
  40. Quênia / Kenya
    1. Nairobi
    2. Masai Mara
  41. República Tcheca / Czech Republic
    1. Praga / Prague
  42. Romênia / Romania
    1. Bucareste / Bucarest
    2. Transilvânia / Transylvania
  43. Rússia / Russia
    1. Moscou / Moscow
    2. São Petersburgo / Saint Petersburg
    3. Trans-Siberian
  44. Singapura / Singapore
  45. Suécia / Sweden
    1. Estocolmo / Stockholm
  46. Tanzânia / Tanzania
    1. Zanzibar
    2. Serengeti National Park
  47. Turquia / Turkey
    1. Capadócia / Cappadocia
    2. Natural Rock Pools Pamukkale
  48. Uzbequistão /, Uzbekistan
    1. Samarcanda / Samarkand 
  49. Vaticano / Vatican City 
  50. Zimbabwe
    1. Victoria Falls

O (quase) fim de semestre e a vida em Sheffield

O (quase) fim de semestre

Depois de deixar o blog de lado um pouco, volto para contar como foi este semestre. Tudo bem, o semestre ainda não acabou pois o sistema aqui é um pouco "estranho", é um sentimento estranho de que acabou mas não acabou. O que acontece é que na verdade as minhas aulas acabaram nesta sexta-feira (18), mas as provas ocorrem entre 18 de Janeiro e 6 de Fevereiro. 

No meu caso, terei provas nos dias 1 e 2 de Fevereiro e trabalhos (papers) a entregar no dia 18 de Janeiro (online). Até o momento tive apenas uma prova, um midterm, e o esquema é parecido com o do Canadá para final exams e o mais próximo no Brasil acredito que seja o vestibular. Você não pode entrar com nada na sala, a calculadora tem que ter o selo da universidade (dizendo que é um modelo autorizado), etc etc. Fora isso, também tive uma apresentação de trabalho em grupo mas foi bem tranquilo, a única diferença grande que vi é que as apresentações tem horário marcado e apenas os avaliadores podiam ver as apresentações (isto é, os outros alunos não participam). 

Neste meio tempo a temperatura foi abaixando... e até chegou a nevar. Logo depois as coisas voltaram ao "normal" e agora o clima está até agradável (para padrões Inglaterra). Também tive a oportunidade de ver a instalação do novo chancellor (como se fosse o reitor) da universidade, a primeira vez que University of Sheffield tem uma mulher neste cargo. É um evento super tradicional que conta com a presença do prefeito, dos nobres de Sheffield (isso mesmo) e vários rituais específicos para a ocasião. Foi bem interessante.

A vida em Sheffield

Fora da universidade, a vida também acontece e eu não contei quase nada aqui. Chegando em Sheffield as pessoas do meu curso se apegaram bastante. Contei um pouco das nossas atividades neste post. Logo em Outubro fomos ao Peak District, uma região muito bonita aqui onde moramos. Existem muitas trilhas possíveis e só fizemos uma delas (com direito a picnic no meio do caminho) então quando esquentar novamente... o plano é voltar ao Peak District.
Em Outubro começou também a temporada de pub quizzes (minha, claro). O primeiro foi o Friends TV Quiz Night e fomos muito mal, não estava nada preparada e meu time também não. Já o segundo... Frozen Quiz no começo de Dezembro. Acho que teoricamente seria para crianças mas lá fomos nós, tendo estudado e tudo. O time: Rael, Antonio, Akash, eu. Não é que ganhamos? O prêmio foi um daqueles bonecos de papelão da Ana & Elsa e outro do Olaf. Claro, o Olaf é meu preferido e todos ficam lindos na nossa sala de estar (só o Rael não mora conosco).

Empolgados, no final de semana seguinte resolvemos participar do Big Fat Quiz of the Year! O prêmio: uma TV 48" 4K Ultra HD. Todos falaram "Nunca vamos ganhar!" mas consegui convencer todos a participar pois na pior das hipóteses seria divertido certo? O time: Rael, Antonio, Akash, Rudy, James, eu. Pois bem, não é que ganhamos? Sim, a linda TV agora enfeita a nossa sala de estar, junto com o Olaf.

Ok, voltando para Outubro. O semestre continuou com muitos encontros entre o pessoal do curso, aniversários (inclusive o meu), filmes na universidade, palestras, reuniões, etc. Alias, tivemos até um tour por Sheffield conhecendo o jardim botânico, parques, etc. Em Novembro começou a temporada de "eventos especiais". O primeiro deles foi Diwali Night, um dia especial para hindus. Também foi o primeiro dia em que saímos como "casa" (os 6), e acho que o único na verdade. Demorou um pouco (umas 4-6 semanas) mas finalmente passamos a conviver como pessoas que moram juntas. O segundo grande evento foi o UNICEF Match for Children, em Manchester (Old Trafford). No dia anterior houveram os ataques em Paris e muitos jogadores decidiram não participar (alias, quase cancelaram o jogo com medo de um ataque - o príncipe estava lá), como Zinedine Zidane, mas ainda pude ver David Beckham (& filho), Cafú e Ronaldinho. Além disso, o jogo contou com apresentações por Andrea Bocelli e Rita Ora. Uma ótima forma de passar o aniversário não é? Ajudando a UNICEF, vendo um jogo como este e apresentações como estas. Mais sobre a iniciativa do David Beckham aqui.

Continuando. O terceiro evento da série "eventos especiais" foi o Disney on Ice Worlds of Enchantment no final de Novembro. Foi a primeira vez que vi uma apresentação de patinação no gelo e achei incrível. Gostei tanto que deu origem ao quarto evento, Peter Pan on Ice, no começo de Janeiro. Dessa vez tive que ir a York então aproveitei para conhecer a cidade muito bonitinha, murada, e é a tradicional cidade do condado de Yorkshire.

Pois bem, o resto do semestre foi dedicado aos estudos e trabalhos a serem entregues, aos amigos do curso e ao pessoal da casa (ficamos mais próximos na época do meu aniversário, um pouco antes). Agora estamos na nossa época de "falsa-férias" (como já expliquei), aproveitei para passar o Natal com a família (tios, primos e a família do marido da minha prima) e uns tempos em Praga! Acho que a cidade sentiu que eu viria e resolveu nevar, ficando ainda mais bonita (e escorregadia).

Tentei adiantar um pouco os trabalhos e os estudos, mas ainda terei um longo mês pela frente. Por enquanto, vou tentar relaxar e recuperar as energias.

Espero que todos tenham tido um ótimo Natal e que o novo ano traga felicidades!

Ps: Ficou confuso? Tentei resumir um semestre em poucas linhas, complicado né. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Erasmus vs Ciência sem Fronteiras: minha experiência

Agora já se passaram algumas semanas aqui na Inglaterra e achei interessante comparar dois grande programas: Erasmus vs Ciência sem Fronteiras. O post ficou bem grande mas vocês podem pular para as partes que acharem mais interessantes.

Geral: 

Ciência sem Fronteiras: "Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC". 

Erasmus+: "O programa Erasmus+ tem por objetivo reforçar as competências e a empregabilidade, bem como modernizar a educação, a formação e a animação de juventude. O programa, que abrange um período de sete anos, disporá de um orçamento de 14,7 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 40% em relação aos níveis de despesa atuais, em consonância com o compromisso assumido pela UE de investir nesta área".

Ambos possuem programas voltado para alunos de graduação, mestrado e doutorado. Vou tentar comparar aqui os dois, mas lembrando que eu tive bolsa do Ciência sem Fronteiras de graduação (CALDO, Canadá) e do Erasmus de mestrado (Europubhealth).


O dinheiro: Existem diferenças significativas e importantes entre os dois, pela minha experiência. 

Ciência sem Fronteiras: O primeiro pagamento de bolsa do Ciência sem Fronteiras aconteceu pouco tempo antes da minha viagem para o Canadá. No meu caso, o edital foi um pouco corrido mas sei de outros editais em que as pessoas receberam com uma boa antecedência. Dessa forma, é possível usar o dinheiro para pagar seguro, visto e passagens sem ser um enorme impacto no orçamento (claro, depende muito da situação do seu edital). De qualquer forma, todos (exceto excessões) chegam no seu país de destino já com o dinheiro da bolsa. Um ponto negativo é que a primeira bolsa vem em reais levando à perdas com as conversões. 

Erasmus+: O pagamento da bolsa Erasmus foi realizado somente aqui na Inglaterra, quase 1 mês depois. Isso em partes é devido ao sistema inglês pois só é possível abrir uma conta no banco após estar 100% registrado na universidade (e isso tem um dia certo para acontecer). Após o envio dos dados do banco, o Erasmus demorou cerca de 15 dias para enviar o dinheiro (que demora alguns dias para chegar). O mais surpreendente foi quando enviei um email cobrando o dinheiro (pois tinha que pagar aluguel) e pediram desculpas, dizendo que estava atrasado pois estavam muito ocupados. Eu passar fome tudo bem né (só não passei pois tenho uma família que pode me ajudar)?

Bolsa de graduação:
  • Ciência sem Fronteiras: 870 libras ou 420 libras (com alojamento pago pelo programa) + 400 libras do adicional de localidade
Bolsa de doutorado:
  • Ciência sem Fronteiras: 1300 libras + 400 libras do adicional de localidade + 200 libras acréscimo para dependentes (max 2)
Bolsa de mestrado:
  • Erasmus: 1000 euros (~ 720 libras)
Isto é, a menor bolsa do Ciência sem Fronteiras (graduação) ainda é maior que a bolsa de mestrado do Erasmus+. No meu caso, se eu fosse morar na universidade pagaria cerca de 500 libras por mês e portanto a bolsa seria cerca de 920 libras. No caso do Erasmus também não existe a opção de adicional de localidade, dependentes, nada disso. É 1000 euros e pronto. 

Sendo assim, financeiramente falando a bolsa do Ciência sem Fronteiras é muito melhor que a bolsa Erasmus (ao menos para quem vem para a Inglaterra).

O diploma: Novamente, vou comparar a nível de mestrado. No caso de quem faz um mestrado full pelo CsF (acho que nem tem como mais, mas digamos que tenha), você sairá com um diploma de uma universidade específica. As vantagens são que você aproveita 100% o curso em uma universidade e isso também facilita um pouco a vida, afinal, lidar com burocracias de várias instituições não é nada agradável.

No caso do Erasmus, o aluno sai com pelo menos dois diplomas (pois é obrigatório passar por pelo menos 2 países em um mestrado do Erasmus). No meu caso terei meu diploma da universidade na Inglaterra e um da universidade na França, além de um complemento explicando todo o processo (pois colocar que eu fiz o mesmo curso em duas universidade no meu CV é um pouco estranho). A vantagem é bem óbvia, ter dois diplomas é ótimo e levarei os mesmos dois anos. Mas, como já dito, lidar com a burocracia de duas universidades em dois países não é nada fácil (por exemplo: ambas tem que concordar com a sua aprovação, você tem que apresentar sempre os documentos 2x, etc).

As oportunidades: Este tópico será super específico para o meu caso pois não tenho condições de falar sobre outros cursos. Portanto, vou comparar o meu MPH (Erasmus, chamamos de EPH) com o MPH normal da University of Sheffield (vamos supor que fosse possível cursar ele com uma bolsa do CsF).

Noite Indiana
A primeira grande diferença está na composição da turma/cohort. O meu cohort é composto de alunos internacionais em sua grande maioria (temos apenas 1 inglês e 18 internacionais) e isso traz muitas oportunidades. Nós criamos os "international nights" em que a cada duas semanas temos um jantar feito por um país com comidas e músicas típicas do mesmo. Além disso, pelo fato de todos estarem "no mesmo barco", isso nos deixou muito mais unidos. O cohort do MPH é composto por alunos internacionais e britânicos, acredito que talvez 50/50 (mas isso é um chute). A vantagem neste caso é ter mais contato com os alunos britânicos.

A segunda grande diferença é mesmo nas características do cohort. Por algum motivo, os alunos do EPH (meu caso) dão opiniões, fazem perguntas e interagem muito mais na aula que os alunos do MPH tradicional. Nós discutimos este assunto um dia e acreditamos que seja pela diferença na seleção e também pelo fato de que todos nós (quase) tivemos que mudar de país para estudar, o que já nos torna diferente (não melhor ou pior) dos alunos do MPH. Acredito que seja mesmo uma questão de personalidade.

O apoio que temos da universidade acredito também que seja um pouco diferente. Por exemplo, nosso "course director" (o responsável pelo programa) tem reuniões semanais com o nosso grupo para discutir assuntos diversos, o que não ocorre no MPH traditional. A desvantagem do EPH é que somos um pouco mais perdidos em termos de burocracias que os alunos do MPH pois temos que obedecer as regras da University of Sheffield, da nossa segunda universidade, do nosso programa e do Erasmus (para os alunos do MPH, são as regras da universidade aqui apenas, o que torna tudo muito mais fácil).

Nós estamos cadastrados na matéria "Dissertation" por exigência da universidade aqui, mas não temos que ir pois só faremos a nossa dissertação no segundo ano. No entanto, o Erasmus exige 90% de presença e a Inglaterra idem (sim, eles verificam se você tem ido nas aulas, sob o risco de ser deportado). Ou seja, ainda não sabemos se somos obrigados ou não a ir às aulas da matéria "Dissertation". Para os alunos do MPH, é muito mais claro.

Uma vantagem e desvantagem do Erasmus é a obrigatoriedade de estudar em dois países diferentes. Primeiro, é uma enorme oportunidade conhecer dois países e duas culturas (especialmente no meu caso de saúde pública, conhecer o sistema inglês e francês é uma enorme vantagem). A grande desvantagem é ter que deixar seus amigos e enfrentar toda a burocracia que vem acompanhada da mudança de país (vistos, fechar conta no banco, abrir conta no banco, a mudança em si, etc).

O reconhecimento e a concorrência: O Ciência sem Fronteiras até que já é um programa razoavelmente conhecido em diversas universidades no mundo, mas na competição CsF vs Erasmus não tenho a menor dúvida que o Erasmus ganha de longe. No entanto, muitos não conhecem tanto as possibilidade para não-EU do Erasmus, apesar de conhecer o programa de uma forma geral.

Em contrapartida, a concorrência para uma bolsa Erasmus também é muito maior (considerando o meu caso, que era de uma pós-graduação). Com certeza é algo que depende muito da sua área e do nível (graduação, pós, etc) mas tenho a impressão que na maioria dos casos a concorrência para a bolsa Erasmus será maior.

Ps: Não deixe que isso de concorrência te iniba de concorrer. 

Resumo: Bom, estas foram as coisas que consegui pensar no momento mas podem perguntar nos comentários. Claro, isso é baseado na minha experiência e cada programa terá suas peculiaridades (tenho uma amiga fazendo outro mestrado Erasmus e posso pedir para ela contar sobre o programa dela aqui, se acharem interessante - acreditem, a experiência dela é muito diferente!).

Se não ficou claro, na minha opinião, o CsF seria um programa mais "certo": a bolsa vem antes (e é maior), não tem mudança de país e tem menos burocracias para enfrentar. No caso do Erasmus, as dificuldades enfrentadas são recompensadas pelo duplo diploma e pelo maior reconhecimento do programa a nível internacional (novamente, essa é a minha opinião). Qualquer que seja a sua opção (seja por oportunidade ou por escolha), ambos tem vantagens e desvantagens, e cabe a você decidir o que será melhor para você.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

University of Sheffield - Orientation Week e a Students Union

Hoje faz, oficialmente, 1 mês que estou em Sheffield! Foi um mês bemmm agitado pois além da mudança para um novo país, a University of Sheffield ainda possui milhares de oportunidades e o Erasmus mais outras tantas. 

Cheguei aqui no dia 15 de Setembro, no meio da Orientation Week (14 à 18 de Setembro). Algumas das atividades são tours pela cidade, pelo campus, pelos prédios principais, etc etc. Eles também fazem palestras sobre assuntos "básicos" como bancos no Reino Unido, responsabilidades do visto Tier 4 (leia aqui sobre minha experiência em tirar o visto Tier 4), segurança, e muitas outras. Por fim, a programação também inclui festas, esportes e "icebreakers" para os calouros/bixos conhecerem pessoas novas. Para quem ficou curioso, é possível ver o booklet desde ano aqui. 

Também é um bom momento para comentar (já que ouvi isso umas 500x já) que a universidade aqui possui a melhor associação de estudantes (Sheffield Students Union) tem não sei quantos mil anos (só 7, seguidos) e foi votada número 1 em "Student Experience" no Times Higher Education Student Experience Awards. É só ir no site deles para ver as milhares (sem exagero) de atividades que ocorrem todos os dias na universidade (e lá só ficam as maiores). 


Para ver as atividades possíveis para este semestre, veja o livrinho do "Give it a Go", versão Autumn. Por exemplo: jiu jitsu, defesa pessoal, karate (na verdade, tem tipo... todas os tipos de luta e similares), projetos de DYI, introdução à crochê (isso mesmo), curso de como aplicar cílios postiços, tarô e leitura da palma das mãos, coral, dança do ventre, tango (e outros milhares de tipos de dança), xadrez, adeus às abelhas (sim, você leu certo), feminismo 101, terapia do riso e terapia canina, cursos de culinária (vários), cursos de idiomas curtos (5 semanas, vários) além de várias viagens (Harry Potter, Whitby, York, Oxford, Liverpool, Cambridge, etc). São tantas que ficamos até perdidos na verdade. Imagina, todo dia ter a possibilidade de fazer 5 coisas totalmente diferentes? Se tempo e dinheiro não fossem problemas.

Como se as atividades normais não ocupassem já o dia todo, ainda temos as Sociedades (Societies). São grupos estudantis (na UNESP/Farmácia, chamamos de entidades) com temas diversos, dos mais sérios aos mais "normais". Por exemplo, existe da Tea Society que toda semana se encontra para tomar chás diferentes e existe a Friends of Doctors without Borders que promove atividades educacionais e de arrecadação de fundos para o Médicos sem Fronteiras. Se você não imaginava já, também são milhares de societies diferentes (+300). 

Além disso, uma das minhas atividades preferidas é o cinema na universidade em que eles passam filmes em um anfiteatro por um preço menor que o do cinema normal. Os filmes passam toda sexta, sábado e domingo e a programação pode ser vista aqui. Eles também passam filmes para as societies, tipo documentários e afins. Por fim, possuem um programa de rádio em que falam sobre os filmes. 

Isso tudo ocorre (a maioria) em um prédio sinistro que custou nada menos que 20 milhões de libras (a libra está mais de R$6,00 - pensa!). Nele temos diversos restaurantes, escritórios, áreas para estudo, área para reuniões das sociedades/etc, um pequeno mercado, etc etc.
Resumindo: o prédio é enorme para acompanhar as milhares de coisas que acontecem todos os dias. Mas também, diferente das coisas na UNESP, quase tudo é pago. Se for considerar em libras, as taxas são simbólicas, de 1 libras até umas 7 para cursos mais elaborados tipo os de culinária (você pode levar a comida para casa)... ainda assim, é bem diferente do que estou acostumada. Aqui tudo é pago e é normal, ninguém se importa (bom, eu me importo). Felizmente, algumas sociedades relacionadas com saúde não cobram, ou se cobram, fazem para arrecadar dinheiro para uma causa específica). No entanto, para ser membro da AIESEC cobram 20 libras (simplesmente para querer ser voluntário), ai não dá. 

Bom, esse foi o resumo da primeira semana em Sheffield e do básico sobre a universidade. Ainda pretendo escrever sobre a segunda semana (Intro Week), sobre minha impressões Canadá x UK, bolsa Ciência sem Fronteiras x Erasmus e... não sei mais. Se tiverem sugestões, coloquem nos comentários. 


sábado, 26 de setembro de 2015

Police Registration no Reino Unido

Para os desavisados, todos os brasileiros (todos? acredito que sim) com visto tier 4 devem se registrar na polícia em no máximo 7 dias após sua chegada no país. Na verdade, não só brasileiros, mas estudantes dos seguintes países:
Afghanistan, Algeria, Argentina, Armenia, Azerbaijan, Bahrain, Belarus, Bolivia, Brazil, China (inc. Hong Kong & Macao), Colombia, Cuba, Egypt, Georgia, Iran, Iraq, Israel, Jordan, Kyrgyzstan, Kuwait, Lebanon, Libya, Moldova, Morocco, North Korea, Oman, Palestine, Peru, Qatar, Russia, Saudi Arabia, Sudan, Syria, Tajikistan, Tunisia, Turkey, Turkmenistan, United Arab Emirates, Ukraine, Uzbekistan & Yemen.
Qual o motivo deste registro? Claro, não achei nenhum lugar explicando exatamente por que pessoas destes países precisam se registrar... mas podemos imaginar.

Para registrar é necessário levar os seguintes documentos:

  • Overseas Visitor Registration Form (eu levei impresso, mas na universidade eles tinham cópias em branco para preencher);
  • Passaporte original e visto;
  • BRP (eu não tenho um BRP, talvez no futuro eles implementem para brasileiros);
  • Duas fotos (tamanho passaporte);
  • Seu CAS;
  • E... o valor da registration fee em dinheiro (£34). Tinha que ter uma taxa né?
O que eu não sabia é que nesta época do ano a regra dos 7 dias não é válido e os estudantes podem se registrar diretamente nas universidades nos dias/locais determinados. No caso da University of Sheffield seria no dia 23-25 de Setembro ou 2/5 de Outubro. A vantagem de registrar na universidade é que você recebe lá mesmo o Police Registration Certificate (PRC) e, quem se registra na polícia direto, recebe o PRC pelo correio 30 dias depois. Como eu não sabia da regra de que a regra dos 7 dias não é válida, fui na polícia tentar me registrar antes dos meus 7 dias e eles me orientaram a esperar para fazer o processo todo na universidade. 

O que fazer com o PRC? Deixar ele bonitinho e guardadinho em casa, exceto quando for sair do país. Caso seja parado na rua, temos até 48h para apresentá-lo. Caso você mude de endereço (ou fique fora por mais de 2 meses), mude de universidade ou curso, mude de ocupação, mude de estado civil, tenha um filho, mude de visto ou mude de passaporte, você deve se apresentar na polícia para atualizar seu PRC.

O que acontece se eu não me apresentar ou não notificar a polícia de alguma mudança? A multa é nada mais nada menos do que míseras £5.000 e/ou prisão (6 meses). Veja o Immigration Act 1971, Section 26(1). 

Pois é, você achou que depois de pagar uma fortuna no visto suas despesas acabariam? Engano seu. 


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